O Xangô de Baker Street – Mistério, História e humor

“Neste livro surpreendente, Jô Soares alia uma rigorosa pesquisa histórica sobre a vida no Rio de Janeiro do Segundo Reinaldo à sua inventividade sem fronteiras. Romance cômico-policial, O Xangô de Baker Street constitui uma engraça mistura de cenário muito preciso do passado – a capital do país por ocasião da primeira visita da legendaria atriz francesa Sarah Bernhardt –, figuras conhecidas da historia politica e cultural do país, como Olavo Bilac, Chiquinha Gonzaga, Paulo Nei, D. Pedro II, e personagens de ficção – Sherlock Holmes e o indefectível Dr. Watson –, importados para desvendar o desaparecimento inconveniente de um violino Stradiavarius que que deixara o imperador em palpos de aranha. Mas as ilustres criaturas de Conan Doyle acabaram sendo requisitados para solucionar uma serie de crimes hediondos e enigmáticos. O resultado é um livro delicioso, em que as modas e os costumes da capital imperial no seculo passado vêm acompanhadas de algumas suposições mais ousadas, com, por exemplo, a de o Brasil ser o berço do primeiro serial killer da historia. Por sua vez, o texto vai do jocoso dos diálogos e da gozação do francesismo brasileiro de então ao hilariante de diversas cenas, revelações estarrecedoras sobre a vida alimentar, farmacologia e sexual do famoso detetive da rua Baker. O Sherlock de Jô descobrirá as delicias sensuais dos trópicos, aprenderá alguns costumes nativos, exercera seus brilhantes dotes dedutivos (para espanto e incredulidade), mas sera obrigado a admitir que os crimes abaixo do Equador não são tão elementares, meu caro leitor.”
Esse texto de contra capa do livro define muito bem a história e composição do romance. Uma única informação que deve ser acrescentada é que o violino foi roubado da baronesa de Avaré, amante – fictícia – de D. Pedro II, e, a partir dai, mulheres começam a serem mortas e no corpo de todas é encontrada uma corda de violino.
O livro é genial. A história tem várias sacadas – como a criação do termo serial killer, o surgimento da bebida caipirinha e no final a ligação entre o serial killer fictício com um certo famoso serial killer inglês – que são muito inteligentes mesmo.
Por nunca ter lido nenhum livro do Lord Conan Doyle, não posso dizer se o Holmes e o Watson mantêm suas personalidades dos originais, mas o que posso afirmar é que o Sherlock do Jô é meio sem noção – meio Jack Sparrow da vida – o que torna o enredo bem divertido.
O livro é empolgante, misterioso, engraçado  e, acima de tudo, inteligente. Um perfeito livro de serial killer com um belo plano de fundo histórico.

O Xangô de Baker Street


SOARES, Jô

Companhia das Letras
352 páginas
R$: 61,00

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